Milhões de pessoas caminham pelas ruas do Brasil protestando, o momento político é especial. Não se trata apenas de uma luta contra o aumento na tarifa do transporte público, mas sim de uma revolta generalizada contra o “estilo de vida brasileiro”. O futebol é de primeiro mundo, mas a população também deseja ter transporte, saúde e educação no “padrão FIFA”.
Alguns problemas enfrentados pelos brasileiros têm relação direta com o ramo de imóveis. Atualmente vive-se um processo denominado verticalização, na prática é a substituição de casas por prédios. Ao verticalizar um bairro, por exemplo, o número de habitantes cresce assustadoramente. Hoje não existe uma preocupação governamental e nem do setor imobiliário, no sentido de atender esses novos moradores.
No bairro A residiam 10 mil pessoas, com a verticalização passou para 20 mil. Será que existem ônibus suficientes para atender essa nova demanda? As escolas, creches serão capazes de educar mais crianças? As ruas terão capacidade para suprir o aumento na frota de veículos? Essas perguntas ficam sem resposta. Na prática, o mercado imobiliário lucra e qualidade de vida do bairro diminui.
De modo geral, viver no Brasil tornou-se muito caro. Seja pelos impostos, ou por qualquer outro motivo, o mercado imobiliário entrou na dança e encareceu ainda mais o custo de vida do brasileiro. As classes mais ricas compram imóveis para revender por mais caro. Esse ciclo de especulação parece não ter fim e os imóveis inflacionam a cada dia. Enquanto isso, as classes mais pobres (maioria de pessoas) se endividam por décadas e décadas. Será que a tragédia imobiliária dos Estados Unidos não serve como lição?
E quem disse que apenas os estádios e as obras da Copa são entregues fora do prazo e com problemas? Em diversos casos a família se programa, faz sacrifícios, mas na hora de receber a chave do imóvel percebe que a obra ainda não está pronta. Existem imóveis atrasados em mais de um ano, além disso, não é raro observar alguma obra concluída recentemente com problemas de infiltração, entre outros.
E a questão das favelas? Os pobres estão sendo afastados do centro das cidades. O governo – manipulado por interesses de diversos setores da economia, no qual se inclui o mercado imobiliário – constrói imóveis em lugares afastados e pressiona a mudança das famílias para o local. Meses depois, o terreno desocupado é vendido por um valor astronômico.
O problema é que nem sempre as famílias concordam com troca de moradia, porém, a ideia não é beneficiar os favelados, mas sim livrar o espaço para gerar lucro. São por esses e muitos outros motivos que os protestos acontecem no Brasil e, como pode ser visto no texto, o mercado imobiliário também possui “culpa no cartório”.
William Cruz – Colunista do PortaisImobiliários.com.br uma rede de portais de imóveis, como o portal de imóveis em Curitiba | iCuritiba.com, presente em mais de 240 cidades do Brasil.
Créditos da imagem: free digital photos.
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